Feedback é o processo em que uma pessoa transmite a outra sua percepção a respeito do comportamento desta última. O fornecimento de feedback é importante na construção de um bom relacionamento interpessoal. Quando uma pessoa pede feedback a outra, o feedback ajuda a pessoa que o recebe a adquirir uma visão mais realista de si própria e a ajustar seu comportamento de modo a favorecer relações mais amistosas.
Não se deve esquecer, porém, de que, ao fornecer feedback, não se pode ferir a auto-estima do receptor. É preciso, portanto, examinar de que modo o feedback deve ser fornecido de modo a não agredir o interlocutor.
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INTRODUÇÃO Feedback é o processo em que uma pessoa transmite a outra sua percepção a respeito do comportamento desta última. O fornecimento de feedback é importante na construção de um bom relacionamento interpessoal. Quando uma pessoa pede feedback a outra, o feedback ajuda a pessoa que o recebe a adquirir uma visão mais realista de si própria e a ajustar seu comportamento de modo a favorecer relações mais amistosas. Não se deve esquecer, porém, de que, ao fornecer feedback, não se pode ferir a auto-estima do receptor. É preciso, portanto, examinar de que modo o feedback deve ser fornecido de modo a não agredir o interlocutor. JULGAMENTOS AUTOMÁTICOS – O RESPEITO AO OUTRO Uma causa importante de dificuldade no relacionamento interpessoal é que todos nós somos “rápidos no gatilho”, isto é, costumamos julgar as ações dos outros de forma natural, automática, sem pensar, como se fôssemos juízes do comportamento alheio. Formulamos rapidamente um julgamento sobre a pessoa tão logo tomamos conhecimento do que ela fez. Isso ocorre porque a ação do outro nos provoca emoções, mesmo que o ato não seja dirigido a nós. Essa rapidez no criticar faz com que, muitas vezes, a crítica seja equivocada. É preciso compreender de uma vez por todas que:
A EMOÇÃO ATRAPALHA O FEEDBACK Uma das razões pelas quais é difícil dar um feedback adequado é que, em geral, quem dá o feedback está dominado pela emoção. O caso mais típico é aquele em que sou dominado pelo ódio em virtude de algo dito pelo outro que me ofende ou humilha. Mesmo quando não sou criticado nem insultado, alguém pode fazer algo que eu não aprovo. Nesse caso, posso ser tomado por algum tipo de sentimento, por exemplo, de desprezo ou raiva em relação ao outro, sentimento que me leva a criticá-lo de um modo que agride sua auto-estima. Se alguém emite uma opinião que julgo errada, posso dar-lhe feedback dizendo-lhe que está errado simplesmente para mostrar minha inteligência ou para me sentir importante ou superior. Em todos esses casos, provavelmente meu feedback será agressivo e ofensivo. JULGAMENTO x COMPREENSÃO Não se pode julgar os atos de uma pessoa sem conhecer suas razões. O comportamento que parece criticável à primeira vista pode se tornar aceitável quando se descobre os motivos que levaram a pessoa a agir daquele modo. Assim, sempre que eu tomar conhecimento de um ato aparentemente reprovável, uma atitude mais prudente seria perguntar: “Por que ele (ela) fez isso?” Ao formular essa pergunta, eu “esfrio” minhas emoções e me obrigo a suspender o julgamento até conhecer as razões da outra pessoa. Quando procuro saber os motivos de um indivíduo, eu tento compreender essa pessoa em vez de julgá-la. Existe, portanto, uma atividade que sempre deve vir antes da formulação de qualquer crítica: é a compreensão dos motivos do outro. A compreensão das razões da outra pessoa envolve uma habilidade chamada empatia. Empatia é a capacidade de se pôr no lugar dos outros e de compreender como se sentem. A pessoa empática tenta colocar-se no lugar da outra pessoa para ver as coisas como ela as vê, tenta entender como a outra pessoa está raciocinando, como ela está se sentindo, como certas coisas a estão afetando e a estão levando a agir de determinada maneira. ACEITAÇÃO DO OUTRO Um fator crítico no relacionamento interpessoal é a capacidade de as pessoas se aceitarem mutuamente como são. Todos têm que aceitar o fato essencial de que os seres humanos são diferentes uns dos outros. Ainda que a convivência se dê entre pessoas que nasceram e vivem no mesmo local, possuem a mesma idade e são da mesma classe social, entre elas haverá diferenças de personalidade, percepções, atitudes, valores, habilidades, aptidões, conhecimentos e experiências anteriores, enfim, diferenças no modo de ser. A incapacidade de aceitar o outro produz duas conseqüências: primeiro, faz com que o indivíduo inconformado critique o outro a todo momento, procurando forçá-lo, de todas as maneiras, a mudar seu modo de ser para adaptar-se ao primeiro; segundo, faz com que as mais ínfimas diferenças sejam motivo para grandes conflitos, o que torna impossível a convivência. Aceitar o outro como ele é significa reconhecer que minha maneira de ser não é melhor que a dele, que nossas características são simplesmente diferentes, e que ele, portanto, tem o direito de ser diferente de mim tanto quanto eu tenho o direito de ser diferente dele. Aceitar outra pessoa como ela é significa aceitar pacificamente seu comportamento diferente, sem se aborrecer, sem brigar nem discutir. Aceitação significa considerar o outro indivíduo como igual, tratando seu comportamento, suas idéias e sentimentos com sincero respeito. Isso não significa concordar com ele em tudo mas tão somente aceitá-lo. Significa reconhecer que ele, tanto quanto eu, tem direito a idéias, valores e atitudes próprios. É inútil criticar alguém quando a crítica tem o objetivo de fazer com que o outro mude sua maneira de ser. Assim, antes de criticar eu devo verificar se o comportamento que eu desejo mudar de fato pode ser mudado. CRÍTICA DA PERSONALIDADE x CRÍTICA DO COMPORTAMENTO Uma das formas mais comuns pelas quais as pessoas dão feedback ao outro é fazendo um comentário genérico sobre a própria pessoa, comentário que expressa uma opinião negativa sobre o receptor. Esses feedbacks geralmente começam com uma das seguintes frases: “Você é ...” (Por ex.: “Você é estúpido”), “Você não é ...” (Por ex.: “Você não é simpático”), “Você tem ...” (Por ex.: “Você tem mania de se intrometer”), “Você não tem ...” (Por ex.: “Você não tem espírito de equipe”), “Você sempre ...” (Por ex.: “Você sempre atrapalha”), “Você nunca ...” (Por ex.: “Você nunca presta atenção”). Embora comuns, esses feedbacks são extremamente agressivos. Trata-se de comentários que agridem a personalidade da pessoa, que tentam desvalorizá-la como ser humano e, assim, ferem sua auto-estima. Por outro lado, essas críticas tendem a provocar ressentimento e comportamento defensivo, sendo em geral ineficazes para conseguir mudanças de comportamento, pois o receptor provavelmente concentrará suas energias em rebater as “acusações” e defender seu ego. Essas formas de feedback são, portanto, inaceitáveis, além de inúteis. |



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